domingo, 24 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Mais um dia
domingo, 10 de outubro de 2010
sábado, 5 de junho de 2010

VOAR
"Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade.
Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo, mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! ..."
Clarice Lispector
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Climatério e Menopausa
O que provoca o climatério e a menopausa?
A diferenciação entre climatério e menopausa, expostos no Breves de Saúde # 6 (www.brevesdesaude.com.br ), e que o climatério é o período que antecede e sucede a última menstruação espontânea da mulher (menopausa). O climatério pode se iniciar alguns anos antes da última menstruação e, por definição, acaba um ano após, independente da persistência de sintomas.
O climatério é decorrente do início da falência ovariana, ou seja, esgotamento dos folículos (acabam os folículos ovarianos, que poderiam se tornar óvulos para a fecundação) e redução da produção hormonal dos ovários.
A redução dos folículos ovarianos é gradual; portanto, é possível que ela ainda engravide, mesmo na vigência das ondas de calor ou de outros sintomas próprios do período, ou seja, já no climatério, mas ainda com algumas menstruações, mesmo que irregulares.
A produção hormonal ovariana também tem redução insidiosa.
Dos hormônios todos, os que mais nos interessam, à luz dos conhecimentos atuais, são os estrógenos, a progesterona e os androgênios. Esses últimos são hormônios masculinos, hoje em dia muito discutidos nos estudos da sexualidade da mulher.
Os Hormônios no climatério
O principal estrógeno circulante desde a menarca (idade da primeira menstruação), é o 17 beta estradiol. Sua produção diária na fase reprodutiva é bastante variável: situa-se entre 80 a 500 microgramas. Após a menopausa, a síntese cai para menos de 20 microgramas/dia.
Essa variação tão ampla provavelmente seja reflexo da inutilidade de sua dosagem para o diagnóstico de uma fase inicial do climatério, ou mesmo quando da aferição da quantidade ideal de hormônio na reposição hormonal.
Os ovários, assim como as glândulas supra-renais, produzem também hormônios masculinos, os androgênios, que hoje se acredita serem importantes na libido da mulher. Muitos deles são considerados pró-hormônios, que vão se transformar em estrógenos e outros androgênios biologicamente ativos.
O uso de estrógeno, presente na pílula contraceptiva hormonal e na terapêutica de reposição hormonal, determina redução da testosterona biologicamente disponível, devido à inibição ovariana. Por outro lado, níveis mais baixos de estradiol, como os da menopausa não medicada, aumentam a quantidade de testosterona biologicamente disponível.
Os estudos sobre a deficiência de androgênios ainda engatinham. Tem sido sugerido que seja responsável pelos seguintes sintomas: perda do desejo sexual, diminuição da excitabilidade das papilas mamárias e do clítoris à estimulação direta, diminuição da capacidade orgástica, perda do tônus muscular, diminuição da energia vital, pele seca, adelgaçamento e perda do pêlo pubiano.
Em realidade, esses sintomas podem ser decorrentes de outras condições, tais como distúrbios depressivos e dificuldades conjugais. E ainda, não existem estudos confiáveis sobre a veracidade dessas informações, apenas sugestões de que exista relação entre os níveis de testosterona livre no sangue e a função sexual da mulher. Esses conceitos serão úteis quando fizermos considerações sobre o tratamento da disfunção sexual da mulher.
Os hormônios que estimulam a atividade ovariana são o LH (hormônio luteinizante) e o FSH (hormônio folículo estimulante), produzidos pela hipófise, que é uma glândula localizada no sistema nervoso central (dentro do crânio). Quando os ovários começam a entrar em falência, aumentam os níveis desses hormônios no sangue, como que numa tentativa de aumentar o estímulo para os ovários continuarem funcionando, mas eles já não conseguem responder a esse mecanismo.
No climatério, portanto, é freqüente a presença de níveis elevados de LH e FSH, mas níveis normais podem ser detectados, principalmente em seu quadro inicial, dificultando e mesmo postergando o seu diagnóstico. Em algumas mulheres o LH e o FSH só vão aumentar de fato, bem perto da menopausa.
Daí a importância do conceito de que o diagnóstico de climatério, principalmente em seu quadro inicial, é essencialmente clínico, em função de sintomas que a mulher esteja sentindo, independente das dosagens hormonais.
Reforço estes conceitos porque já tive muitas pacientes que chegaram em quadro clínico característico de climatério, mas que não foram imediatamente diagnosticadas pela falta de documentação das alterações hormonais. Uma vez tendo recebido tratamento específico para climatério, essas mulheres exibiram melhora evidente de ondas de calor, de quadros depressivos ou de sintomas outros próprios do período.
Sinais e sintomas do climatério
É importante não confundirmos as alterações que o corpo apresenta possivelmente decorrentes da falta de hormônio (tabela 1), com aquelas que são fruto do próprio envelhecimento (tabela 2), para que não criemos uma falsa expectativa de rejuvenescimento, quando nos propomos a realizar o tratamento de reposição hormonal no climatério. E isso nem sempre é possível, porque muitas vezes os sinais e sintomas se confundem, não sendo possível distinguir aqueles que sejam definitivamente do climatério daqueles decorrentes do envelhecimento.
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Alguns sinais e sintomas estão associados à privação hormonal, tais como a instabilidade vasomotora (ondas de calor e a sudorese noturna) e a osteoporose (enfraquecimento dos ossos por perda acentuada da massa óssea, predispondo à ocorrência de fraturas). Outros, estão eventualmente relacionados, tais como a doença cardiovascular aterosclerótica (angina de peito, infarto do miocárdio) e alguns sintomas psicossociais, como insônia, fadiga, depressão e redução da libido.
A intensidade e a freqüência dos sinais e sintomas no climatério variam de mulher para mulher, indo desde a ausência total de sintomas, até à exibição de toda a gama de alterações algum dia descritas.
As alterações mais freqüentes e precoces são as ondas de calor e os distúrbios menstruais.
No próximo boletim, detalharemos os sinais e sintomas do climatério e/ou menopausa.
A Incontinência Urinária no Climatério: Uma proposta de tratamento fisioterapêutico
| Escrito por: Marília Carmem de Araújo Cardoso Sampaio Acioly | Bacharel em Fisioterapia pelo Unipê e aluna do Curso de Especialização em Serviços de Saúde Pública pelo CBPEX. |
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